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Muitos esforços individuais perdem-se ou são
minimizados (quando não se anulam mesmo) devido à inexistência de estruturas
que potenciem e juntem essas energias utilizados em muitas actividades
culturais...
É o que acontece, normalmente, com os trabalhos e obras publicadas, com apoio
de entidades locais - que assim investiram numa acção cultural que poderia ser
muito mais rentabilizada e divulgada de forma sistemática e coerente.
Por outro lado, a dispersão dos esforços e trabalhos individuais não permite
uma análise correcta e adequada dos respectivos contributos para as causas da
cultura e da tradição, muito menos uma completa e adequada disponibilização
de fontes e de recursos documentais para uma reflexão e estudo mais globais.
Acresce que, por falta de uma estrutura dinamizadora adequada, muitos destes
trabalhos raramente são conhecidos fora do contexto em que foram publicados ou
divulgados, não se sentindo os respectivos autores estimulados para uma mais
ampla divulgação justamente por constatarem da inexistência de estruturas
adequadas e vocacionadas para o efeito.
Recolher as recolhas e recolher o que ainda não foi recolhido; reunir esforços
e contributos; aglutinar vontades e suscitar discussões alargadas tanto quanto
possível; estimular o gosto pela causa cultural activa; incentivar a realização
de eventos que contribuam para divulgação e para a valorização da cultura
tradicional; estabelecer parcerias com organismos e instituições públicas e
privadas no sentido de potenciar as funcionalidades disponíveis – eis alguns
dos objectivos de uma estrutura de acção cultural como o "Centro de Música
Tradicional Sons da Terra".
Arquivo e memória, por um lado, mas foco dinamizador e irradiador de uma praxis
cultural concertada, por outro: instalado in situ, actuará em tempo real e em
estreita ligação e cooperação com as gentes da terra e com todas as forças
vivas da cultura e do associativismo.
Mas também como fonte de recurso para estudiosos, quer agindo individualmente
quer integrados em organismos universitários e afins, com particular incidência/relevância
para os estudantes de áreas do conhecimento associadas, directa ou
indirectamente, à cultura tradicional. Que, no caso vertente, sendo de expressão
transmontana deverá, naturalmente, não neglicenciar ou esquecer ancestrais
ligações com outras expressões (minhota e beirã, sobretudo) e afinidades com
manifestações de outras áreas geográficas (castelhana, leonesa, asturiana e
galega). Até porque, como dizia Miguel Torga, uma pátria é um contexto de
afinidades.
Um Centro vivo e trabalhando em estreita ligação com as forças locais e
regionais mas segura e adequadamente estruturado e financeiramente sustentado
(quer por capitais próprios quer por apoios funcionais regulares por parte de
entidadas oficiais, mas sempre para sustentação de propostas concretas de acção
sujeitas aos mecanismos de avaliação de desempenho respectivos) de molde a
poder exercer as funções e a alcançar os objectivos que se propõe sem
sufocos nem estrangulamentos, com seriedade e continuidade, com credibilidade e
com uma gestão funcional transparente em termos de utilização dos dinheiros públicos.
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