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Foto: Um aspecto
das oficinas de Adufe, no I Encontro de Tocadores.
Características
Denominamos pandeiros os membranofones de percussão directa, de aro muito baixo,
cujas peles são fixas (não permitindo portanto a graduação da sua tensão e tonalidade),
cosidas umas às outras sobre o aro, ou pregadas a este. Dentro desta definição geral,
porém, a palavra designa vários instrumentos uni e bimembranofones de
diversos formatos, nomeadamente redondos e quadrangulares ou poligonais, grandes ou
pequenos, e sem ou com soalhas interiores ou exteriores (e que, de resto, aparecem
com frequência nas mesmas ocasiões, e que há uma certa tendência para considerar
conjuntamente).
Pandeiros bimembranofones — Os pandeiros bimembranofones (que consideramos
apenas na sua forma quadrangular, que é a mais característica) encontram-se entre
nós, hoje, exclusivamente na faixa oriental do País, desde a Lomba de Vinhais, no
alto Trás-os-Montes, até ao rio Douro, e de terras da Guarda até ao Baixo Alentejo
ou seja, nas áreas pastoris portuguesas por excelência,onde eram, até não
há muito tempo, extremamente correntes, continuando a sê-lo em algumas partes,
nomeadamente na Beira Baixa, de que se podem mesmo considerar o instrumento
característico. Eles aparecem associados à música vocal popular tradicional
mais genuína — por vezes caracteristicamente arcaica — das diversas regiões onde
ocorrem, como seu acompanhante natural e específico.
Em Portugal, os pandeiros bimembranofones quadrangulares são quase quadrados ou
losangulares; em casos pouco significativos, ocorrem também alguns redondos, e, num exemplo único, em Duas Igrejas (Terras de Miranda), triangulares e hexagonais, a par dos quadrangulares; mas, pelo menos actualmente, os redondos, e por maioria
de razão os triangulares e poligonais, não mostram, além do seu formato, características
especiais que os distingam essencialmente dos quadrangulares. (Extraído
e adaptado do livro "Instrumentos Musicais Populares
Portugueses", de Ernesto de Oliveira e Benjamim Pereira, Gulbenkian,
2000).
Distribuição
A área portuguesa do pandeiro quadrangular, a Ocidente, não
ultrapassa, em Trás-os-Montes, a Lomba de Vinhais, prolongada, a inflectir para leste, na linha de Bragança a lzeda e alturas para lá
dos vales inferiores do Sabor, abrangendo assim, além dessas terras de Vinhais e da Lombada de Bragança, a região tão peculiar do
Vimioso, Miranda do Douro e Mogadouro, e o concelho de Freixo
de Espada à Cinta. Na Beira-Alta, o uso e a área deste pandeiro são, pelo menos
actualmente, diluídos e imprecisos; mas, aí e na Beira Baixa, a serra da Estrela marca um limite perfeitamente definido, que
continua ao sul pela serra de Alvelos, existindo outrora o instrumento em Proença-a-Nova (Amendoa), mas sendo desconhecido na Sertã.
No Alentejo, ele vai até ao sul de Beja (Ataboeira), hoje também muito escasso, à excepção da região de Portalegre e Santa Eulália
(Elvas), onde mantém plena vigência. Ele é especialmente frequente,
e com a maior vitalidade, na Beira Baixa. Temos notícia de pandeiros bimembranofones redondos apenas
em localizações dispersas e muito restritas, por exemplo na Gestosa (Lomba de Vinhais), estreito e com soalhas no aro, usado
pelas mulheres, a acompanhar o canto e a dança; em Monforte do Alentejo (ao mesmo tempo que o quadrangular), usado igualmente
pelas mulheres nas alvoradas do S. João; em Duas Igrejas (Miranda do Douro), pertencentes ao grupo folclórico local. Actualmente,
estes pandeiros redondos, entre nós, não mostram caracteres especiais que os distingam essencialmente dos quadrangulares.
(Extraído e adaptado
do livro "Instrumentos Musicais Populares Portugueses", de
Ernesto de Oliveira e Benjamim Pereira, Gulbenkian, 2000).
Tocadoras:
D. Amélia e D. Laura
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| D.
Amélia Fonseca |
D.
Laura |
A D. Laura e a D. Amélia são dois dos elementos fundadores das Adufeiras de Monsanto. Este grupo nasceu da vontade de um grupo de mulheres de Monsanto de tratarem com carinho redobrado a sua tradição, tanto no que respeita ao repertório tradicional, como aos ritmos de adufe e aos trajes. Nadas, criadas e vivendo ainda em Monsanto, estas duas senhoras conhecem o seu instrumento como poucos, e são um repositório vivo da cultura da sua região que amam
apaixonadamente. A experiência do 1º Tocadores foi altamente enriquecedora, porque levou os participantes a descobrirem além das dificuldades técnicas de um instrumento aparentemente fácil de tocar, algumas das histórias e tradições que a ele estão ligadas. Para as adufeiras a descoberta de gente jovem interessada na sua arte.
O
Pivot: Rui Vaz
Rui Vaz é fundador do grupo “Cramol”, do qual foi director artístico, e esteve também na origem do projecto “Adufe” de José Salgueiro. Vaz colaborou com o Museu de Etnologia e no Livro de Instrumentos Populares Portugueses do Professor Ernesto Veiga de Oliveira, e participou em trabalhos de recolha de música tradicional, especialmente em Trás-os-Montes e Alentejo.
Rui Vaz tocou em espectáculos e gravações de Zeca Afonso, Fausto, José Mário Branco, Janita Salomé, Júlio Pereira, “Ronda dos Quatro Caminhos”, “Romanças” (músico convidado), Donal Katchamba (músico do Malawi), entre outros, tendo igualmente participado em espectáculos com repertório baseado em canções do Alentejo para viola campaniça. Pertenceu aos grupos “Bago de Milho”, “O Ó que som tem?” e ao “Grupo de Acção Cultural – Vozes na Luta” (GAC). Da sua actividade destacam-se ainda a realização de oficinas de música tradicional na Biblioteca Operária Oeirense, a participação em coros amadores e algumas experiências no campo do Jazz e dos Blues.
Iniciou a sua formação na Juventude Musical Portuguesa e frequentou um curso de percussão dirigido pelo professor austríaco R. Schingerling. Desde 1976 desenvolve o estudo e a prática do Canto Alentejano e da Gaita de Foles, como autodidacta.
(texto retirado do site
gaiteirosdelisboa.com)
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