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O
tamborileiro António Maria Cuco (Santo Aleixo da Restauração) - foto: "Instrumentos Musicais
Populares Portugueses", Gulbenkian,
2000.
Características
e Distribuição
O tamboril é, de um modo geral, um tambor pequeno, que, num sentido preciso, mostra
bordões sobre ambas as peles, embora se toque só numa delas, como as caixas.
Ele aparece nestes termos em Trás-os-Montes, na faixa fronteiriça de Rio de Onor e
Terras de Miranda, e é mesmo muitas vezes uma mera caixa, à qual se aplicaram
bordões nos dois lados. Em Rio de Onor, o tamboril acompanha a gaita-de-foles nas
mesmas ocasiões em que esta se usa, e toca-se em posição horizontal, com duas
baquetas, ambas sobre a mesma pele; em Terras de Miranda, onde ele é muito
popular e de especial agrado do povo, ele toca-se de igual maneira, com grande maestria, geralmente a acompanhar a dança, com o bombo, a gaita, a fraita, os
ferrinhos, castanholas e «carracas» (conchas de vieiras); mas muitas vezes tocam-no
mesmo sozinho, sem acompanhamento de qualquer outro instrumento, podendo as
pessoas dançar horas sem fim, apenas com o seu rufar.

Foto: O Tamborileiro Virgílio Augusto Cristal a tocar na Eira para um
grupo de bailadores.
O tamboril e flauta, tocados por uma só pessoa, num conjunto instrumental unitário
e coerente, é, em Portugal, uma forma rara e pouco representativa, que existe, pelo
menos actualmente, como vimos, apenas em duas regiões delimitadas e afastadas
uma da outra: em algumas aldeias raianas de Terras de Miranda, no Leste trasmontano,
como elemento instrumental fundamental das festas em que têm lugar — Danças de
Pauliteiros, dos Velhos, Festas de Rapazes, Presépios de Natal, ofícios e certas outras
solenidades religiosas —, a par ou em lugar da gaita-de-foles, em funções de nítido
carácter cerimonial e até litúrgico, e também em funções profanas e lúdicas, fiadeiros
e outras diversões avulsas e acontecimentos de menor vulto, ao serviço da
velha música característica dessa zona; e na faixa alentejana além Guadiana, associado às
festas religiosas patronais ou principais das várias localidades, aí apenas em funções
cerimoniais qualificadas, servindo uma curta fórmula musical puramente ritual, que
nada tem que ver com a música corrente da região. Em cada uma delas, ele mostra
certos caracteres comuns, e, por outro lado, diferenças muito sensíveis.
O pífaro, como instrumento deste conjunto — a flaita ou gaita —, é,
como dissemos, um tipo de flauta doce, com fenda em bisel, por onde se sopra, e com três furos no
topo oposto: dois na face superior, para o indicador — normalmente da esquerda —,
e um na inferior, para o polegar; o instrumento segura-se e toca-se com essa mesma
mão, firmado na boca e, no outro topo, pelo polegar e pelos dedos mínimo e anelar
dessa mão. No Alentejo, ele tem, para esse efeito, umas pequenas molduras apropriadas,
onde encaixam estes dedos: o mínimo por baixo e o anelar por cima. Em Trás-os-Montes, onde tais molduras não existem, o mínimo apenas ampara o pífaro
de topo. O tamboril vai suspenso desse mesmo braço, por uma pequena correia, e é batido com a baqueta única, empunhada pela mão direita. Os
tamboris e flautas dos tamborileiros trasmontanos, a despeito do seu uso cerimonial,
nenhum carácter colectivo possuem. (Extraído
e adaptado do livro "Instrumentos Musicais Populares
Portugueses", de Ernesto de Oliveira e Benjamim Pereira, Gulbenkian,
2000).
O Pivot: Alberto
Jambrina Leal
Alberto
Jambrina Leal é membro fundador do grupo Habas Verdes,
considerada uma das formações de música tradicional mais
interessantes de Espanha., bem como do duo Tradinova.
Sendo
formado como profissional de Piano pelo Conservatório Superior de
Badajoz bem como de Flauta de Pico pelo Conservátorio Profissional de
Salamanca, Jambrina é actualmente coordenador da Escola de Folclore do
Consórcio de Fomento Musical de Zamora.
É também autor do livro “La Gaita y el Tamboril” que reflecte
o panorama da presença da flauta de três buracos ao longo da Península
Ibérica. Em Portugal efectou várias recolhas sobre as diversas tradições
musicais de Trás-os-Montes, tendo centralizado o seu trabalho na tradição
da gaita de foles e flauta tamborileira. Sobre esta o seu trabalho foi
desenvolvido junto de conceituados tocadores do planalto transmontano,
tais como Virgílio Cristal de Constantim e Ângelo Arribas de Freixiosa
com os quais fez algumas gravações.
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